Fiquei na dúvida sobre o título da Coluna, entre “DE VOLTA AO LAR” e “LAR, DOCE LAR”’. Optei pelo primeiro e creio que acertei, pois o “LAR” não pareceu tão doce para todos que nele se abrigaram em retorno comemorado.
Em 06/12/2009 o Coritiba FC enfrentou o Fluminense RJ e acabou rebaixado para a Série B do Campeonato Brasileiro. Presentes ao Couto Pereira, indignados pelo resultado do campo de jogo, pelas conseqüências desportivas e pela somatória de fatos de um ano de comemorações e promessa não cumpridas, revoltaram-se, brigaram entre si, invadiram o gramado, atiraram objetos, destruíram, perseguiram árbitros, atletas e delegação visitante.
Pelos acontecimentos havidos e sumariamente relembrados, em 07/12/2009 o estádio foi preventivamente interditado, condição na qual permaneceu por 75 dias (até 19/02/2010, com efeitos a partir de 20/02/2010). Entre a data do fato e o efetivo retorno, por outro lado, deu-se a passagens de 83 dias. Foram tempos, de interdição e de ausência, sentidos.
Pois bem, acabou o exílio e no último dia de fevereiro/2010 o Coritiba voltou ao seu lar, embora ainda permaneça pendente a análise jusdesportiva final sobre os acontecimentos pretéritos.
A volta foi preparada em todos os sentidos. Recuperou-se a praça esportiva, buscaram-se os laudos que lhe atestavam a segurança e sugeriu-se que os torcedores vestissem-se de branco, para simbolizar a paz. Criou-se até uma campanha para exaltar o “orgulho de ser coxa branca”, numa espécie de resgate. Neste ponto um detalhe: orgulho verdadeiro não se perde e muito menos se resgata. Orgulho verdadeiro ou se tem ou não se tem!
O lendário estádio foi reaberto e 6.679 pessoas estiveram presentes, público pequeno para a importância e o significado da data e pelo retrospecto do clube em termos de afluxo médio de torcedores.
Não tratarei dos associados, dos torcedores, dos planos de associação e dos valores de mensalidades e ingressos. São assuntos e decisões administrativas internas.
Não se viram faixas em profusão e nem alegria geral pela goleada alcançada. Não houve show de luzes ou “infernos verdes”. Poucos cânticos foram percebidos e quando exaltaram uma importante facção de torcedores organizados, foram vaiados por “torcedores bem comportados”. Torcedores vaiando torcedores; será o fim dos tempos?
É claro que o retorno ao lar deveria ser comemorado, só que antes de comemorado ou preparado, seria preciso um verdadeiro exercício de profunda reflexão sobre os motivos do exílio, suas conseqüências, seus responsáveis e quais as medidas concretas para que nunca mais se verifiquem situações como a tristemente experimentada.
Ao invés da reflexão sugerida, deram-se limitações, proibições e fixação de normas.
O Coritiba voltou ao seu lar, mas não foi doce o retorno. Enquanto divididos, responsabilizados, tolhidos, vaiados reciprocamente, em litígio interno, o verdadeiro sabor, a verdadeira doçura, jamais será alcançada.
Um verdadeiro lar abriga toda uma família e não apenas os familiares escolhidos!
Em 01/03/2010, refletindo em meu lar, ESTÁ PAUTADO... |